Sobre Regina Barbosa

De voz mansa e olhar cativante, vem fazendo história no Ceará ao longo das últimas décadas ao propiciar – sem buscar retorno financeiro – qualificação, carinho e atenção a crianças e jovens carentes de Fortaleza, pelo simples fato de acreditar que sua história de vida neste mundo deve ser escrita dessa maneira.

Natural de São Luís (MA), D. Regina veio para Fortaleza ainda criança. Aos 15 anos conheceu Mansueto Barbosa, com quem se casou e teve quatro filhos, que lhes deram sete netos e três bisnetos. Em 1993, ao lado de seu falecido marido, fundou a Casa de Vovó Dedé, instituição sem fins lucrativos localizada na Barra do Ceará, que tem como objetivo promover o desenvolvimento humano, pessoal e profissional, por meio da arte, cultura e educação, de crianças e jovens, entre seis e 29 anos, que se encontram em situação de vulnerabilidade social. O nome é em alusão a uma “mãe de coração” de D. Regina, mineira, que também possuía trabalho social.

“Desde criança tinha essa inclinação, essa vontade de ajudar. Posso até dizer que foi se tornando um ideal para não passar a vida em branco. Achava que a gente tinha que escrever uma história e eu queria que a minha história fosse assim. Cedo mesmo comecei meus trabalhos sociais, ensinando crianças sem cobrar, nas periferias. Eu ia procurando os lugares onde pudesse servir.. Nunca tive vontade de viajar, passear, ir a festas, inclusive isso contrariava muitas vezes meus familiares”.

“Quando o Mansueto faleceu eu fiquei com a estrutura da escola. Com dois dias que ele tinha falecido eu trouxe meu piano, e comecei a dar aula e fiquei 12 anos sozinha. Comecei com uma criança e de repente eu tinha 40, 50 crianças, aí fui comprar mais instrumentos e fui abrindo as oficinas”. Mesmo conseguindo atender uma quantidade grande de pessoas com a instituição, dona D. Regina sonha com o dia em que iniciativas do tipo possam se tornar corriqueiras em todas as partes da cidade.

Regina Marta Albuquerque Barbosa ressalta que a cultura e a arte sempre fizeram parte de sua vida para ajudar as pessoas, principalmente crianças e jovens e este trabalho lhe rendeu a Medalha da Abolição. Enquanto eu estiver em pé e puder vou dar aula e formar virtuosos cidadãos para o mundo”.